Linha do Tempo

1949 a 1989

Funcionamento do Incinerador Pinheiros

O Incinerador Pinheiros funcionou por 40 anos. De 1949 a 1989, cerca de 200 toneladas de lixo foram queimadas diariamente em suas duas câmaras de combustão ou “fornalhas”. A temperatura da queima era mantida com óleo e, para acionar os sopradores de ar e o sistema de mistura de lixo, utilizava-se eletricidade. A chaminé de 42 metros eliminava fumaça e pequenas partículas que prejudicavam a saúde dos moradores da região.

Nas primeiras décadas de funcionamento, o Incinerador processava apenas resíduos domiciliares da zona oeste de São Paulo. Nos anos 70, passou a queimar uma quantidade expressiva de “lixo especial” – como, por exemplo, animais mortos, podas de jardim, móveis abandonados, papel moeda-fora de circulação e documentos. Especula-se que durante a ditadura militar, papéis do DOPS tenham sido incinerados neste prédio. Foi nessa mesma década que a cidade de São Paulo passou a contar com a coleta regular do lixo hospitalar, cuja queima pode liberar poluentes perigosos, como as dioxinas  e os furanos.

No final dos anos 1980, o incinerador foi desativado e passou a abrigar três cooperativas de separação de material reciclável, que desocuparam a área em 2006.

 

1990 a 2001

As origens de um novo espaço público

Com a desativação do incinerador, o terreno passou a abrigar três cooperativas de triagem de material reciclável. Além disso, duas construções foram erguidas no local para abrigar a Secretaria de Saúde da Subprefeitura de Pinheiros. Uma delas tornou-se a sede do Centro de Integração, Informação e Preparação para o Envelhecimento (CIIPE), ainda hoje em funcionamento na Praça Victor Civita.

Entre julho e agosto 2001, a Prefeitura de São Paulo e o Grupo Abril assinaram um Protocolo de Intenções para viabilizar a recuperação do terreno e transformá-lo em praça pública. A Abril realizou então uma pesquisa de opinião com cerca de mil moradores da vizinhança, constatando o desejo da comunidade quanto à criação de um espaço arborizado de lazer e atividades culturais.

 

2002

Parque Sumidouro

Em 2002, a Prefeitura de São Paulo anunciou a criação de vários parques na cidade, incluindo o então denominado Parque Sumidouro. Junto à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente e com o apoio da Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ), a CETESB realizou as primeiras análises químicas do solo e do prédio do incinerador, confirmando a presença de resíduos contaminantes acima dos padrões estabelecidos como seguros

2003

As primeiras pesquisas

Com a implantação do projeto “Gestão Ambiental Urbana – Modelo de Gerenciamento de Recuperação de Áreas Degradadas por Contaminação” na cidade de São Paulo, a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) avaliou a área do antigo incinerador e recomendou a retirada de algumas espécies de frutos comestíveis.

 

2004

Operação urbana Faria Lima

A viabilização da Praça Victor Civita foi inserida na “Operação Urbana Faria Lima”, programa iniciado em 2004 e previsto no Plano Diretor da cidade para promover melhorias na região de Pinheiros.

2006

Plano de recuperação da área

Sob a coordenação da Subprefeitura de Pinheiros e da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), teve início efetivo o plano de recuperação da área e do prédio do antigo incinerador. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e a CETESB realizaram 52 sondagens no terreno da Praça. As análises confirmam a presença de cinzas e metais pesados em toda a área, resultado da queima do lixo. As cooperativas de reciclagem que atuavam no terreno foram então transferidas para uma sede na Vila Leopoldina.

 

2007

Início das obras

No dia 9 de fevereiro, centenário de nascimento de Victor Civita, o Grupo Abril firmou um termo de cooperação com a Prefeitura de São Paulo para documentar a criação da Praça. Foram então iniciadas as obras de descontaminação do prédio do antigo incinerador. Simultaneamente, foi criado o Instituto Abril, organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), cujo primeiro projeto foi coordenar a implantação da Praça Victor Civita.

No final do ano, foram concluídas as obras de raspagem das alvenarias do incinerador. Sessenta e seis toneladas de resíduos retirados do local foram enviadas para um aterro Classe I, para detritos perigosos. Ainda em 2007, o projeto da Praça Victor Civita foi apresentado na 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

 

2008

A construção da Praça

Com o estabelecimento de parcerias com o Grupo Itaú e a Even Construtora e Incorporadora, viabilizou-se a construção da Praça. No primeiro semestre, mais de 250 estacas de aço foram fixadas a profundidades entre 6 e 8 metros para garantir a fundação das instalações. Na segunda metade do ano, o terreno foi recoberto por uma camada de 50 cm de terra limpa, reformou-se o prédio do antigo incinerador, o deck de madeira foi instalado, plantaram-se jardins suspensos e as obras estruturais foram finalizadas. A Praça Victor Civita foi oficialmente entregue à comunidade em novembro de 2008.

 

2009

O primeiro ano da Praça

Em seu primeiro ano, a Praça Victor Civita organizou diversos eventos, como a solenidade de participação da cidade de São Paulo na Hora do Planeta (movimento mundial de conscientização sobre o aquecimento global), em que estiveram presentes o prefeito de São Paulo e o presidente da WWF-Brasil. No mês de novembro, a Praça comemorou seu primeiro aniversário com uma série de espetáculos, entre eles um show de Nando Reis.

2010

O reconhecimento público e a consolidação da Praça

Em abril de 2010, a Praça recebeu o VII Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa na categoria Obras Públicas Green. Em julho do mesmo ano, foi finalizada a cobertura da arquibancada, compatível com o projeto sustentável de toda a obra. O espetáculo de inauguração do espaço foi realizado pelo pianista e maestro João Carlos Martins, acompanhado pela Orquestra Bachiana.

No mesmo ano, foi criada a Associação Amigos da Praça Victor Civita, responsável pela gestão da Praça após o período de construção e primeiras atividades. Com a gestão por Associação, mais colaborativa e comunitária, as empresas e instituições que apoiam a manutenção da Praça contam com representação no Conselho Diretor e no Conselho Administrativo.

 

2011

Novos reconhecimentos e desafios

No início de 2011, a Praça Victor Civita foi um dos finalistas do Prêmio GreenBest, no segmento arquitetura e construção. Ainda no primeiro semestre, a praça também foi apresentada como projeto de destaque na exposição Arquitetura Brasileira: o coração da cidade – A invenção dos espaços de convivência, realizada no Instituto Tomie Ohtake.

Como continuidade de suas atividades, a Praça Victor Civita busca manter-se em constante renovação, não apenas promovendo uma abrangente programação sócio-cultural, mas também desenvolvendo metodologias de ação em relação à difusão de pesquisas e iniciativas sustentáveis em diferentes segmentos.