Revitalização

Os primeiros casos de intervenção planejada sobre o espaço urbano no período contemporâneo aconteceram a partir do final do século dezenove. Importante exemplo são as reformas de Paris no governo de Napoleão III: de forte caráter higienista e de controle social, foram realizadas para conter os impactos do crescimento da massa popular e permitir a manutenção da ordem nos espaços públicos.

Ao longo do século vinte, o crescimento das sociedades industrializadas e em industrialização transferiu para a organização espacial das cidades as desigualdades sociais próprias ao desenvolvimento do capitalismo industrial. Com ênfase na viabilização dos fluxos de transporte, no escoamento de matérias primas e de bens industrializados, na criação de bolsões habitacionais populares e na preservação da qualidade de vida nas áreas de concentração dos grupos sociais privilegiados, esse processo acarretou a degradação da qualidade de vida da população, o abandono de áreas de importância histórica, a redução de espaços de convivência pública e a destruição da paisagem natural.

Atentas a essas questões, políticas públicas recentes de revalorização do patrimônio histórico e ambiental, bem como medidas para recuperação do espaço urbanizado, passaram a pautar-se por demandas de caráter sócio-ambiental e se tornam cada vez mais frequentes no desenvolvimento de planos diretores urbanos e nas ações de preservação da paisagem histórica e ambiental.

Surge, assim, o conceito de revitalização urbana tal como utilizado atualmente, pautado pela integração de parceiros públicos e privados a fim de garantir recursos para intervenções urbanísticas e/ou arquitetônicas em áreas degradadas, além de implementar projetos capazes de promover a reocupação econômica e social de espaços em degradação. Recentemente, somou-se a essas ideias a necessidade de organizar processos sustentáveis nas áreas revitalizadas e estimular sua ocupação e ressignificação, com respeito à diversidade, à convivência e à coesão sócio-cultural.

A Praça Victor Civita, publicamente reconhecida como um exemplo de recuperação de áreas urbanas degradadas, foi concebida em acordo com esse conceito contemporâneo de revitalização. Contando com um projeto arquitetônico e paisagístico ecologicamente adequado, a Praça é gerida através de um modelo de sustentação apoiado em iniciativas de incentivo à cultura e oferece à população uma programação cultural e esportiva qualificada e gratuita.

A revitalização da Praça Victor Civita reitera a importância da reciclagem não apenas de materiais, mas também de espaços. Um local degradado pelo mau uso pode tornar-se um espaço público de lazer e de reflexão sobre questões ambientais e grandes problemas urbanos.

Revitalizada, a Praça Victor Civita, acima de tudo, reafirma a importância do convívio: entre o passado e o presente, entre o urbano e o natural, entre todas as linguagens e entre todos nós.